Amor combate (Joaquim Pessoa)
"Meu amor que eu não sei,
amor que eu canto,
amor que eu digo:
os teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto,
por quem fico,
por quem vivo:
os teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país: quero cantar-te, como quem diz:
o nosso amor é sangue, é seiva, é sol, é Primavera,
amor intenso, amor imenso, amor instante.
O nosso amor é uma arma, é uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é um pássaro voando,
mas à toa,
rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo, amor sorrindo, amor doendo
o nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper.
Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor, amor, amor, amor de tudo ou nada.
Amor-verdade.Amor-cidade.Amor-combate.Amor-abril.
Este amor de liberdade."
(Joaquim Pessoa)























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