3 anos de ausência...

| Faz hoje 3 anos que fiquei sem a companhia do meu querido Gil... Nunca soube o que lhe aconteceu; alento que alguém com coração generoso o tenha recolhido e dado o amor que lhe fiquei de dar... Estes poemas são para ti,meu querido,que estas palavras cheguem até ti,onde quer que te encontres;que a energia destas palavras te ofereçam o amor que ficou aqui,retido no meu peito... Ausência "Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava,ignorante,a falta. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a,branca,tão pegada,aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência,essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." Carlos Drummond de Andrade Amar "Que pode uma criatura senão, entre criaturas,amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar,desamar,amar? sempre,e até de olhos vidrados amar? Que pode,pergunto,o ser amoroso, sózinho em rotação universal,senão rodar também,e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta,e o que,na brisa marinha, é sal,ou precisão de amor,ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é a entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito,o cru, um vaso sem flor,um chão de ferro, e o peito inerte,e a rua vista em sonho,e uma ave de rapina. Este o nosso destino:amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente,de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor,e na secura nossa amar a água impícita,e o beijo tácito,e a sede infinita." Carlos Drummont de Andrade |























<< Home