
sexta-feira, janeiro 27, 2006
quinta-feira, janeiro 26, 2006
Você é gateiro(a)?

|
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Manual dos gatos


|
terça-feira, janeiro 24, 2006
Regras de etiqueta para gatos inexperientes

|
segunda-feira, janeiro 23, 2006
Amor combate (Joaquim Pessoa)
"Meu amor que eu não sei,
amor que eu canto,
amor que eu digo:
os teus braços são a flor do aloendro.
Meu amor por quem parto,
por quem fico,
por quem vivo:
os teus olhos são da cor do sofrimento.
Amor-país: quero cantar-te, como quem diz:
o nosso amor é sangue, é seiva, é sol, é Primavera,
amor intenso, amor imenso, amor instante.
O nosso amor é uma arma, é uma espera.
O nosso amor é um cavalo alucinante.
O nosso amor é um pássaro voando,
mas à toa,
rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.
Amor partindo, amor sorrindo, amor doendo
o nosso amor é como a flor do aloendro.
Deixa-me soltar estas palavras amarradas
para escrever com sangue o nome que inventei.
Romper.
Ganhar a voz duma assentada.
Dizer de ti as coisas que eu não sei.
Amor, amor, amor, amor de tudo ou nada.
Amor-verdade.Amor-cidade.Amor-combate.Amor-abril.
Este amor de liberdade."
(Joaquim Pessoa)
domingo, janeiro 22, 2006
Ser veterinário

| "Ser veterinário não é só cuidar de animais. É, sobretudo, amá-los, não ficando somente nos padrões de uma ciência médica. Ser veterinário é acreditar na imortalidade da natureza é querer preservá-la sempre mais bela. Ser veterinário é ouvir miados, mugidos, balidos, relinchos e latidos mas, principalmente, entendê-los e amenizá-los. É gostar de terra molhada, de mato fechado, de luas e chuvas. Ser veterinário é não se importar se os animais pensam, mas sim, se sofrem. É dedicar parte do seu ser à arte de salvar vidas. Ser veterinário é aproximar-se de extintos. É perder medos. É ganhar amigos de pêlo e penas, que jamais irão decepcioná-lo. Ser veterinário é ter ódio de gaiola, jaula e corrente. É perder um tempo enorme apreciando rebanhos e vôos de gaivotas. É permanecer descobrindo, através dos animais a si mesmo. Ser veterinário é conviver lado a lado com ensinamentos profundos, sobre amor e vida." "Todos nós podemos nos formar em veterinária mas nem todos seremos veterinários" (Anónimo) |
sábado, janeiro 21, 2006
teu nome é gato...
"Vem cá, meu gato, aqui no meu regaço;
guarda essas garras devagar,
e nos teus belos olhos de ágata e aço
deixa-me aos poucos mergulhar.
Quando meus dedos cobrem de carícias
tua cabeça e o teu dócil torso,
e minha mão se embriaga nas delícias
de afagar-te o eléctrico dorso.
Em sonho a vejo. Seu olhar, profundo
como o teu, amavél felino,
qual dardo dilacera e fere fundo,
e, dos pés à cabeça, um fino
ar subtil, um perfume que envenena
envolvem-lhe a carne morena."
Charles Baudelaire
| "Tens na noite teu abrigo
no perigo, teu amigo liberdade é música que fica onde passa fazendo graça. De repente só tu sentes sons que pairam no ar... e devagar... teus olhos buscam o que eu não posso ver...só crer... Quando cansas da noite lá fora voltas teus passos em meus abraços Agora... derrama teu carinho e faz de minha cama teu ninho... conforto, de facto teu nome é gato" Cida Souza |
sexta-feira, janeiro 20, 2006
Ode ao gato

"Os animais foram imperfeitos, compridos de rabo,tristes de cabeça. Pouco a pouco se foram compondo, fazendo-se paisagem, adquirindo pintas,graça,vôo. O gato só o gato apareceu completo e orgulhoso: nasceu completamente terminado, anda sózinho e sabe o que quer. O homem quer ser peixe e pássaro a serpente quisera ter asas, o cachorro é um leão desorientado, o engenheiro quer ser poeta, a mosca estuda para andorinha, o poeta trata de imitar a mosca, mas o gato quer ser só gato e todo gato é gato do bigode ao rabo, do pressentimento à ratazana viva, da noite até os seus olhos de ouro. Não há unidade como ele, não tem a lua nem a flor tal contextura: é uma coisa só como o sol ou o topázio, e a elástica linha em seu torno firme e sutil é como a linha da proa de uma nave. Os seus olhos amarelos deixam uma só ranhura para jogar as moedas da noite Oh pequeno imperador sem orbe, conquistador sem pátria mínimo tigre de salão, nupcial sultão do céu das telhas eróticas, o vento do amor na interpérie reclamas quando passas e pousas quatro pés delicados no solo, cheirando, desconfiando de todo o terrestre, porque tudo é imundo para o imaculado pé do gato. Oh fera independente da casa, arrogante vestígio da noite, preguiçoso, ginástico e alheio, profundíssimo gato, polícia secreta dos quartos, insígnia de um desaparecido veludo, certamente não há enigma na tua maneira, talvez não sejas mistério, todo o mundo sabe de ti e pertence ao habitante menos misterioso, talvez todos acreditem, todos se acreditem donos, proprietários, tios de gatos, companheiros, colegas, díscipulos ou amigos do seu gato. Eu não. Eu não subscrevo. Eu não conheço o gato. Tudo sei, a vida e seu arquipélago, o mar e a cidade incalculável, a botânica, o gineceu com os seus extrávios, o pôr e o mesnos da matemática, os funis vulcânicos do mundo, a casaca irreal do crocodilo, a bondade ignorada do bombeiro, o atavismo azul do sacerdote, mas não posso decifrar um gato. Minha razão resvalou na sua indiferença, os seus olhos tem números de ouro." (Navegaciones y Regresos, 1959) Pablo Neruda |
quinta-feira, janeiro 19, 2006
A arte de ser feliz

| "Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era a época de estiagem,de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde, e,em silêncio,ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega;era uma espécie de aspersão ritual,para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas,para o homem,para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e o meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos,sonhando com os pardais. Borboletas brancas,duas a duas,como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes,um galo canta. Às vezes,um avião passa. Tudo está certo,no seu lugar,cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas,quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas,e outros, finalmente,que é preciso aprender a olhar,para poder vê-las assim." Cecília Meireles |
terça-feira, janeiro 17, 2006
3 anos de ausência...

| Faz hoje 3 anos que fiquei sem a companhia do meu querido Gil... Nunca soube o que lhe aconteceu; alento que alguém com coração generoso o tenha recolhido e dado o amor que lhe fiquei de dar... Estes poemas são para ti,meu querido,que estas palavras cheguem até ti,onde quer que te encontres;que a energia destas palavras te ofereçam o amor que ficou aqui,retido no meu peito... Ausência "Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava,ignorante,a falta. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim. E sinto-a,branca,tão pegada,aconchegada nos meus braços, que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência,essa ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim." Carlos Drummond de Andrade Amar "Que pode uma criatura senão, entre criaturas,amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar,desamar,amar? sempre,e até de olhos vidrados amar? Que pode,pergunto,o ser amoroso, sózinho em rotação universal,senão rodar também,e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta,e o que,na brisa marinha, é sal,ou precisão de amor,ou simples ânsia? Amar solenemente as palmas do deserto, o que é a entrega ou adoração expectante, e amar o inóspito,o cru, um vaso sem flor,um chão de ferro, e o peito inerte,e a rua vista em sonho,e uma ave de rapina. Este o nosso destino:amor sem conta, distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão, e na concha vazia do amor a procura medrosa, paciente,de mais e mais amor. Amar a nossa falta mesma de amor,e na secura nossa amar a água impícita,e o beijo tácito,e a sede infinita." Carlos Drummont de Andrade |
nocturnos(poemas)

Gata de rua
"Afinal o que sou?
Se não sei o que sinto.
Quantas vezes já amei?
Ou então fantasiei
Amores são infinitos.
Sou GATA DE RUA...
Sem amo sem dono
Sem gato e sem cama.
Sem laço de fita
Que faça sentir
Aflição no pescoço.
Sou GATA DE RUA...
Só sei amar a lua.
Sei enlear-me no macho,
Ser apertada no abraço
Comer,beber e sumir.
Sou GATA DE RUA...
Sem dono e sem laço."
Yedda Gaspar Borges

"Lá em casa tinha um gato tão preguiçoso que só fazia MI e esperava o cachorro fazer AU."
Rui Werneck Capistrano

| Felinos na noite "(felinos na noite) pelos movéis pelo chão ronronando felina satisfação contaminando o ambiente com carinho pêlos e sofisticação de raça ou de rua seres da madrugada sinistros ou fôfinhos longilíneos ou pequeninos gatos passeando pela casa madrugando em meu colo." Li Christiane |
poemas

O gato tranqúilo
"Ei-lo,quieto,a cismar,como em grave sigílo,
vendo tudo através da cor verde dos olhos,
onça que não cresceu,hoje é um gato tranqúilo,
a sua vida é um "manso lago",sem escolhos...
Não ama a lua,nem telhado a velho estilo.
De uma rica almofada entre suaves refolhos,
prefere ronronar,em gracioso cochilo,
vendo tudo através da cor verde dos olhos.
Poderia ser mau,fosforescente espanto,
pequenino terror dos pássaros;no entanto,
se fez um professor de silêncio e virtude.
Gato que sonha assim,se algum dia o entenderdes,
vereis quanto é feliz uma alma que se ilude,
e olha a vida através da cor de uns olhos verdes."
Cassiano Ricardo

"Porque eles teimam em ter um horário tão diverso dos nossos?
um dia quebraram o abajur,
todos os meus jarros de flores estão suspensos...
sofá da sala virado ao contrário,
que nem quando as meninas eram pequenas...
os olhos,por aqui,são azuis,alguns quase transparentes;
outros amarelos...
não preciso mais ir à academia...
o corre-corre
atrás dos que fogem
queima as calorias:-))
noites mal dormidas...
ah!gatos,gatos...
quem nunca os teve não os sabe!:-))"
Ivy Wyller























